Alimentação em câncer

A perda de peso e sua repercussão durante o tratamento

06 Nov, 2018

É comum que pacientes oncológicos apresentem dificuldades para se alimentar, reduzam o consumo de alimentos e percam peso. É importante saber que essa perda de peso pode ser decorrente de várias causas, incluindo a própria doença, que gera alterações no organismo aumentando a necessidade de proteínas e energia, de forma a alterar a forma como o corpo utiliza esses nutrientes, além dos fatores psicológicos como depressão ou ansiedade, que afetam o apetite e as escolhas alimentares. O surgimento de sintomas desagradáveis provenientes da doença ou do próprio tratamento contribuem também para agravar a perda de peso levando à desnutrição.

A desnutrição traz consequências desastrosas para o paciente oncológico, incluindo prejuízo em sua imunidade, redução de vitalidade e de resistência à doenças, dificuldade de cicatrização e maior tempo de internação hospitalar para o paciente que realizará cirurgia.

Além disso, a perda de massa muscular severa, que acompanha a perda de peso, pode afetar o metabolismo dos agentes quimioterápicos aumentando os efeitos tóxicos destes medicamentos ocasionando maior probabilidade de interrupção do tratamento.

A perda de 20% de peso durante o tratamento, independente do paciente ter sobrepeso ou obesidade prévios resulta em aumento significativo de efeitos colaterais e de internações hospitalares e consequentemente interrupções no tratamento.

O sucesso tanto da quimio como da radioterapia será comprometido se o paciente desnutrir a ponto de ter que pausar ou mesmo interromper o tratamento. São muitos os estudos demonstrando que a interrupção é um dos fatores com maior influência no resultado final do tratamento e que a desnutrição é uma das razões mais comuns de interrupção do tratamento.

A intervenção nutricional precoce e adequada pode efetivamente prevenir a perda de peso e a perda de massa muscular, contribuindo para que o paciente inicie e termine o tratamento oncológico conforme o planejado, sem interrupções e tenha repercussão positiva no resultado final do mesmo. Para tanto, é importante que o acompanhamento nutricional seja visto como um componente central do tratamento do paciente e que o comprometimento do estado nutricional seja tratado desde o início e durante todo o caminho a ser percorrido pelo paciente oncológico.

Referências:
O conteúdo deste material foi desenvolvido exclusiva e integralmente por Nutricionista Maria Emília Fabre

  • Nutricionista do Centro Médico do Aparelho Digestivo
  • Especialista em Nutrição Parenteral e Enteral pela Braspen/SBNPE
  • Membro da EMTN do Centro de Pesquisas Oncológicas

 

1- Barrère, A et al. Guia nutricional em oncologia. 1ª ed.. Rio de Janeiro, 2017.
2- Britton, B et al. Eating As Treatment ( EAT) study protocol: a stepped-wedge, randomised controlled trial of a health behaviour change intervention provided by dietitians to improve nutrition in patients with head and neck cancer undergoing radiotherapy. BJM Open, 2015:5.
3- Consenso Nacional de nutrição oncológica. 2ª ed. rev.ampl.atual. Rio de Janeiro: INCA, 2015.


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