Alimentação em câncer

Orientações para minimizar a perda de massa magra durante o tratamento

04 Apr, 2017

A massa muscular representa aproximadamente 50% da massa corpórea em indivíduos sadios; já em pacientes com câncer, em fase de tratamento, o organismo apresenta uma demanda maior do gasto calórico, fazendo com que o metabolismo utilize como fonte de energia a massa muscular acarretando numa perda de peso perceptível. 1,3 

O corpo do paciente com câncer “compete” por nutrientes com o tumor, comprometendo todo seu metabolismo, resultando em diversas manifestações clínicas como perda de peso e perda de massa muscular, diminuição da flexibilidade, da capacidade de gerar força e na eficiência em fazer suas atividades diárias.1,3

No acompanhamento nutricional, utiliza-se as medidas do corpo (antropometria) como diagnóstico do estado clínico do paciente; porém, a perda muscular pode ser mascarada se o mesmo tiver retenção hídrica e edema.2              

A preservação e/ou melhora no estado nutricional tem um papel importante na qualidade de vida e no bem-estar dos pacientes com câncer; uma alimentação equilibrada contendo as recomendações adequadas de proteínas e calorias permite uma manutenção e/ou aumento da massa muscular.Essas recomendações nutricionais devem ter atenção especial durante a quimioterapia e radioterapia.5  Recomenda-se para pacientes adultos cerca de 20 a 35 kcal/kg de seu peso atual por dia e 1,0 a 1,8 gramas proteína/kg de seu peso atual  por dia, seja através da alimentação ou suplementação via oral, que além de ser de fácil aceitação é saborosa e traz em sua formulação diversas vitaminas e minerais.1,5

Para melhora da força muscular, além de uma alimentação saudável e suplementação adequada, quando necessária, a atividade física deve fazer parte do contexto.1 Alguns estudos têm demonstrado que pacientes que realizam atividades físicas, diariamente, com exercícios de força garantem: um aumento ou manutenção da massa muscular; melhora da força muscular; redução de náuseas, fadiga, ansiedade e contribui para aumento da disposição; contrapondo-se a algumas consequências negativas da recuperação e tratamento contra o câncer, aumentando a qualidade de vida.1,3,5

Sabe-se da importância da intervenção com exercícios durante o tratamento oncológico, mas vale ressaltar que a escolha do tipo de exercício pelo paciente mostra grande relevância no que concerne à aderência, motivação e resultados. 6

Referencias bibliográficas

  1. NUNES, Everson Araújo et al. Mecanismos pelos quais o treinamento de força pode afetar a caquexia em pacientes com câncer. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.1, n.1, p.1-17, jan./fev. 2007. ISSN 1981-9900.
  2. UnATI e UERJ. Manual de Cuidados Paliativos em Pacientes com Cancer. Rio de Janeiro, 2009.
  3. WHITEHOUSE, A.S.; Smith, H.J.; Drake, J.L.; Tisdale, M.J. Mechanism of attenuation of skeletal muscle protein catabolism in cancer cachexia by Eicosapentanenoic Acid. Cancer Res. 61:3604-3609, 2001.
  4. BOZZETI, F. Suporte Nutricional de pacientes com Câncer. In: GIBNEY, M.; ELIA, M.; LJUNGQVIST, O.; DOWSETT, Nutrição Clínica. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan. 2007.Cap. 21; p.316
  5. Consenso nacional de nutrição oncológica. / Instituto Nacional de Câncer. – Rio de Janeiro: INCA, 2009.
  6. COURNEYA, Kerry et al. Understanding breast cancer patients’ preference for two types of exercise training during chemotherapy in an unblinded randomized controlled trial. International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity 2008.

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